logos (Britney Federline, 2025)
Percepção de um retorno
Escrito por Samuel Kauã
Revisado por Gabriela de Mello
Percepção de um retorno
Escrito por Samuel Kauã
Revisado por Gabriela de Mello
14 de setembro de 2025
Logos (2025, Britney Federline)
A estreia da mostra competitiva nacional de curtas-metragens nesse sábado (13/09) no 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, contou com a abertura do curta Logos, de Britney Federline. Seu primeiro filme, o qual escreveu e dirigiu, é o resultado do período em que ficou internada. Logos nos leva em uma viagem de carro, simbolizando essa jornada em torno dos afetos e da própria corporalidade.
Ao viajar junto com o filme, são perceptíveis as constantes mudanças sonoras, desde barulhos de trem até o silêncio que, unido ao impacto visual, se torna um ponto alto de exposição e sensibilidade, podendo afetar o espectador com a junção do que é dito pelas imagens e afirmado pelos sons que refletem a personagem. Apesar de ser um filme híbrido, que mistura gêneros cinematográficos, de modo distante lembra a produção Estou pensando em acabar com tudo (Charlie Kaufman, 2020) de terror/mistério, pelo jeito que a história utiliza da estrada como representação de uma jornada interna - algo recorrente nos road movies, por exemplo.
Estou pensando em acabar com tudo (2020, Charlie Kaufman)
Os planos são bem diretos. Situam o laudo hospitalar da personagem, ao fim, quando instiga, por meio da semiótica, o espectador a relacionar o que viu com algo racional. Mesmo com a confusão caótica da personagem, que transparece na montagem, é possível mergulhar em seu mundo. No todo, o que não faltou foi o que contar ou ressoar; cenas do corpo em total exposição e expressão, o que não foi dito, mas sentido pelas imagens e sons, até mesmo, uma personagem que não fica muito tempo em tela, mas gera uma busca mental do que sua aparição representa. Britney se mostra de uma forma única e coloca em pauta também nossas relações: mesmo nesse mar da vida que segue, são proteções em muitos momentos, se tornando base para quando estivermos sós.